Retirada de vesícula, hérnia, transplante. A operação foi um sucesso, e mesmo assim a recuperação emperrou. Entenda por que o diabético, o obeso e o imunossuprimido cicatrizam diferente, e como o oxigênio hiperbárico entra quando o corpo trabalha contra a própria cura.
Existe uma frustração específica que só quem viveu entende. A cirurgia foi bem. O cirurgião disse que correu tudo dentro do esperado. E ainda assim, semanas depois, a ferida está aberta, vermelha, drenando secreção, doendo. A pergunta que fica é dura: se a operação deu certo, por que meu corpo não fecha?
Em Redenção, colecistectomias (a retirada da vesícula) são frequentes no Hospital Santa Mônica e no Hospital São Lucas, tanto eletivas quanto de urgência. As herniorrafias somam centenas de casos por semestre. E o HRPA, pioneiro no sul do Pará, já ultrapassou 90 transplantes renais. Em todos esses procedimentos, o sucesso na sala de cirurgia é só metade da história. A outra metade é a cicatrização, e ela obedece a regras que dependem muito de quem é o paciente.
Por que alguns corpos cicatrizam contra a maré
Cicatrizar é um trabalho que consome oxigênio. A borda da ferida precisa de sangue chegando, de células de defesa ativas e de material novo sendo construído. Em uma pessoa saudável, essa engrenagem roda quase sem esforço. Em outras, ela roda emperrada desde o começo:
- Diabetes compromete os vasos pequenos e reduz a chegada de oxigênio exatamente na periferia da ferida, além de enfraquecer a defesa contra bactéria
- Obesidade aumenta a tensão sobre a sutura, cria espaços onde a infecção se instala e dificulta a irrigação da gordura, que é mal vascularizada
- Imunossupressão, como no paciente transplantado que usa remédios contínuos para não rejeitar o órgão, deixa o corpo com a guarda baixa contra infecção e mais lento para reconstruir
Nesses perfis, a mesma cirurgia que num outro paciente fecharia sem incidente pode evoluir para deiscência de aponeurose (a abertura da parede abdominal), infecção profunda ou retardo de cicatrização que se arrasta por semanas.
A infecção de sítio cirúrgico é mais comum do que parece
A infecção do local operado não é sinal de que a cirurgia foi malfeita. Muitas vezes é o encontro de uma bactéria oportunista com um tecido que estava mal irrigado e com pouca defesa. No paciente diabético ou obeso, esse encontro é mais provável. E, uma vez instalada, a infecção profunda tem uma característica traiçoeira: ela vive justamente nas áreas com menos oxigênio, onde o antibiótico chega mal e as células de defesa trabalham com dificuldade.
No transplantado, entra ainda outro fator. Além da imunossupressão, existe a lesão de isquemia e reperfusão, o estresse que o órgão e os tecidos sofrem quando a circulação é interrompida e depois restabelecida. Tudo isso empilha risco sobre a cicatrização.
O que o oxigênio hiperbárico faz por um corpo que está travado
A oxigenoterapia hiperbárica é um tratamento médico reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina, indicado exatamente para infecções de sítio cirúrgico e feridas que não fecham. O princípio é direto: dentro da câmara, o paciente respira oxigênio 100% puro sob pressão, e o sangue passa a transportar muito mais oxigênio do que a respiração comum permite. Esse oxigênio extra chega às áreas isquêmicas que a circulação sozinha abandonou.
Os efeitos que interessam ao paciente de risco:
- Reforça as células de defesa justamente onde falta oxigênio, aumentando a capacidade de destruir bactéria no fundo da ferida
- Potencializa a ação de certos antibióticos no foco da infecção, tornando o tratamento mais eficaz
- Acelera a produção de colágeno e a formação de vasos novos, o que devolve irrigação a um leito que estava parado
- Reduz a inflamação e, no contexto do transplante, ajuda a atenuar a lesão de isquemia e reperfusão sem induzir rejeição
Vale repetir com todas as letras, porque é o que separa informação séria de promessa vazia: a OHB é um tratamento adjuvante. Ela caminha junto com o desbridamento, com o antibiótico e com o acompanhamento do cirurgião e do médico assistente. Ela não substitui nenhum deles e não é solução mágica. O que ela faz é entregar oxigênio onde o corpo, sozinho, não estava conseguindo levar, e assim destravar uma cicatrização que estava parada.
O custo de esperar para ver
Uma ferida abdominal que não fecha não é só desconforto. É afastamento do trabalho que se prolonga, é risco de a infecção avançar, é a possibilidade real de uma reoperação. E, no paciente diabético ou transplantado, o tempo joga contra: quanto mais dias a ferida fica aberta e mal irrigada, mais a bactéria se aprofunda e mais difícil fica reverter.
Blindar a recuperação, ou intervir cedo quando ela começa a falhar, quase sempre custa menos, em dinheiro e em sofrimento, do que tratar a complicação já instalada.
Quando procurar avaliação
Se você é diabético, tem sobrepeso importante ou usa imunossupressores e vai passar por cirurgia, vale conversar sobre proteção da cicatrização. E se a ferida já apresenta vermelhidão que aumenta, secreção, dor crescente, calor ou sinal de abertura, esse é o momento de buscar avaliação, sem esperar para ver se melhora sozinha.
A indicação da oxigenoterapia hiperbárica é uma decisão médica, individual, feita em coordenação com o cirurgião que acompanha o seu caso.
Se o seu corpo cicatriza contra a maré, ele precisa de reforço. Não espere a ferida piorar para agir.
Agende sua Avaliação Diagnóstica na OxiGenare, a única câmara hiperbárica Oxy do Sul do Pará. Nossa equipe analisa o seu caso junto com o seu cirurgião e desenha o protocolo exato para destravar a sua recuperação.
Responsável técnica: Dra. Géssica Montagner, CRM-PA 20513.
A oxigenoterapia hiperbárica é um tratamento adjuvante reconhecido pelo CFM (Resolução 1475/95). Sua indicação é competência médica exclusiva e depende de avaliação individual de cada caso. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o médico assistente.



